Os números do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) na Capital revelam uma transformação consistente no perfil de atuação da corporação. Em 2026, dos 5.922 atendimentos registrados no município, 4.571 foram emergências pré-hospitalares (APH), o que representa cerca de 77% de tudo que o CBMSC faz em Florianópolis.
O dado consolida uma tendência: o bombeiro militar catarinense, na prática cotidiana da Capital, é cada vez mais um agente de saúde de emergência. Acidentes de trânsito, mal súbito, quedas, partos de urgência, paradas cardiorrespiratórias: é nesse universo que se concentra a maior parte do esforço operacional da tropa.
Volume estável, perfil em transformação
Comparados aos 5.933 atendimentos do mesmo período de 2025, os números de 2026 mostram volume praticamente idêntico. O que mudou foi a composição. Os APH cresceram 2% (de 4.479 para 4.571), enquanto outras categorias recuaram:
Prevenção como pano de fundo
A queda simultânea em incêndios e em salvamentos não é coincidência. Trata-se do resultado esperado de um trabalho contínuo de prevenção desenvolvido pela corporação, como as vistorias técnicas conduzidas pela Diretoria de Segurança Contra Incêndio (DSCI), ações educativas em escolas, campanhas de orientação ao público em períodos de maior risco e a presença preventiva da corporação nos balneários e pontos de aglomeração da Capital.
Quando a prevenção funciona, o indicador mais visível é justamente esse: menos chamados emergenciais para situações que poderiam ter sido evitadas.
"Esses números traduzem aquilo que a tropa vive todos os dias. O bombeiro militar de Santa Catarina está nas ruas de Florianópolis salvando vidas; em sua maioria, em emergências médicas que exigem rapidez, técnica e preparo. Ao mesmo tempo, a queda em incêndios e salvamentos mostra que o trabalho de prevenção, muitas vezes silencioso, está dando resultado. Cada ocorrência evitada é uma vida poupada antes mesmo do chamado chegar.", destacou o coronel Fabiano de Souza, comandante-geral do CBMSC.
O perfil revelado pelos dados de Florianópolis acompanha uma tendência observada em corporações de bombeiros em todo o mundo: a expansão do papel da instituição para além do combate a incêndios, consolidando-se como uma das principais portas de entrada do socorro de urgência à população.
"Em uma cidade com a dinâmica de Florianópolis, capital turística, com forte fluxo sazonal, rede viária complexa e litorânea, essa vocação para o pré-hospitalar é especialmente sensível", concluiu o comandante-geral.